No chão da área de entrega há uma flor vermelha; o vendedor amarra um barbante vermelho no retrovisor e entrega uma tangerina. O ritual de pegar o carro varia: a tangerina vale por “sorte”, o abacaxi por “prosperidade”, a Coreia evita o 4 na placa e a Turquia pendura o “olho azul”.
No dia em que pegamos as chaves, minha mãe barrou quem ia levantar o colchão: “como assim já levar a cama, primeiro o arroz”. No huangli, entrar na casa nova chama-se “entrar na casa” e sair do antigo para o novo chama-se “mudança de morada”; as indicações de uma e de outra não são iguais.
Na festa de um ano põe-se uma fileira de objetos e, seja o que for que a criança pegue, a mesa inteira tem a própria leitura. O zhuazhou tem mais de mil anos de registros na China, chama-se doljabi na Coreia e erabitori no Japão. Mas é folclore, e não olha a mesma coisa que a astrologia.
Diante do portão da prova, os pais seguram um saquinho com bolo de arroz em cubos e um pacote de doces — não é para matar a fome. Candidatos na Coreia comem malte para “grudar as respostas”; no Japão, o lápis pentagonal soa como “aprovado”. Por trás desses costumes há o mesmo desejo.
No feriado prolongado do Duplo Dez, em 10 de outubro, muita gente na região de Taiwan da China hesita numa só coisa: ir primeiro para o sul ou para o norte. Outra espera é a distribuição de dez mil em dinheiro — a autoridade fiscal local apresentou o plano em 8 de outubro; se o orçamento geral for aprovado em três leituras, o primeiro depósito sai em 26 de janeiro de 2027.
O Halloween em 31 de outubro, o Dia dos Mortos mexicano em 1º e 2 de novembro e o Samhain celta caem no mesmo período. Os três tratam de “o outro mundo”, mas com propósitos bem diferentes: um serve para afastar, um para brincar e um para reunir.
Na Coreia, fazer o kimchi de inverno se chama gimjang, e a tarefa costuma começar perto do Início do Inverno; muitas famílias escolhem o "dia sem fantasmas" e o "dia do Cavalo". O primeiro são os dias cujo número lunar termina em 9 ou 10; o segundo toma o sentido favorável do Cavalo, que corre rápido.
Nestes dias há movimentação no Pacífico nos dois lados: no Pacífico Noroeste, o que o Japão acompanha é o "tufão nº 25 (DUJUAN, Dujuan)"; no Pacífico Leste, é o furacão "Polo". Um lado usa só o número, o outro dá um nome de pessoa — este texto fala de dar nome ao vento e de por que, no folclore, um nome nunca é coisa pequena.
O Meio do Outono de 2026 é em 25 de setembro (dia quinze do oitavo mês lunar). Sob a mesma lua, na região de Taiwan da China o protagonista muitas vezes não é o bolo lunar, mas a grelha — assa-se na porta de casa, no terraço, nos parques à beira do rio. Essa "tradição" é, na verdade, muito jovem: foi feita por um anúncio de molho de soja, por um episódio em que as grelhas passaram da exportação ao mercado interno e pelas promoções das grandes redes de varejo.